1.17.2008

Penitência




Vou expor-me a um Vento
Vou expor-me a uma Chuva
Sem um lamento.

Vou expor-me a uma Chuva
Para te lavar, ó corpo vil,
Para te livrar da densa bruma
Que sinto dentro em ti
Tão dentro, tão dentro
Que é quase fora de ti.

Vou expor-me a um Vento,
Para tu, Alma, voares bem longe
E só voltares
Depois de o corpo expurgado
Clamar por ti.

Fonseca Amaral
Moçambique