1.16.2008


Tu és a esperança, a madrugada.

Nasceste nas tardes de Setembro,

Quando a luz é perfeita e mais doirada,

E há uma fonte crescendo no silêncio

Da boca mais sombria e mais fechada.


Para ti criei palavras sem sentido,

Inventei brumas, lagos densos,

E deixei no ar braços suspensos

Ao encontro da luz que anda contigo.


Tu és a esperança onde deponho

Meus versos que não podem ser mais nada.

Esperança minha, onde meus olhos bebem,

Fundo, como quem bebe a madrugada.


Eugénio de Andrade