1.20.2008

Variante de uma canção de amor





1

Minha amiga, minha amada:

«quando eu era pequenino»

minha vida começou
logo no berço a cantar...


E esse cantar te levou!

Não tinha a voz nem o gesto

de quem a sabe dizer.

E o meu sonho estava
«acabado de nascer»

como sempre te esperava...

Minha amiga, minha amada:
«inda mal abria os olhos»
- vê tu que louca ilusão!

inda não sentia ou andava,
me batia o coração.


Bater tão forte, tão tonto;

tão cheio de me doer
que o meu desejo querido

«já era para te ver»
no sonho que te sonhava.


2

Minha amiga, minha amada:

«quando um dia eu for velhinho»

cansado e desiludido;

quando minha estrela e rumo

estiver de mim perdido,


pronto a descer à terra...

Oh, quando tudo perder
como tronco destroçado

«acabado de morrer»

- já que nunca te encontrava...

Minha amiga, minha amada:

«olha bem para os meus olhos»,

gastos, baços e iludidos,
ao te buscar a cantar

por rumos desconhecidos.


Olha-me bem, bem no fundo

dos olhos de te querer,

para que vejas e sintas

«que inda estão para te ver»

numa esperança calada...

3


Truz, truz, truz! Bate agora à tua porta

com minha voz e minha guitarra,

e a força de te encontrar -

- minha amiga, minha amada!

Truz, truz, truz! bato e fico esperando
que ouças o meu chamar...

Bato e fico-me cantando,

já que só nasci para te cantar.

Augusto dos Santos Abranches
Moçambique