
1
Minha amiga, minha amada:
«quando eu era pequenino»
minha vida começou
logo no berço a cantar...
E esse cantar te levou!
Não tinha a voz nem o gesto
de quem a sabe dizer.
E o meu sonho estava
«acabado de nascer»
como sempre te esperava...
Minha amiga, minha amada:
«inda mal abria os olhos»
- vê tu que louca ilusão!
inda não sentia ou andava,
me batia o coração.
Bater tão forte, tão tonto;
tão cheio de me doer
que o meu desejo querido
«já era para te ver»
no sonho que te sonhava.
2
Minha amiga, minha amada:
«quando um dia eu for velhinho»
cansado e desiludido;
quando minha estrela e rumo
estiver de mim perdido,
pronto a descer à terra...
Oh, quando tudo perder
como tronco destroçado
«acabado de morrer»
- já que nunca te encontrava...
Minha amiga, minha amada:
«olha bem para os meus olhos»,
gastos, baços e iludidos,
ao te buscar a cantar
por rumos desconhecidos.
Olha-me bem, bem no fundo
dos olhos de te querer,
para que vejas e sintas
«que inda estão para te ver»
numa esperança calada...
3
Truz, truz, truz! Bate agora à tua porta
com minha voz e minha guitarra,
e a força de te encontrar -
- minha amiga, minha amada!
Truz, truz, truz! bato e fico esperando
que ouças o meu chamar...
Bato e fico-me cantando,
já que só nasci para te cantar.
Augusto dos Santos Abranches
Moçambique
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