Do beijo roubado entre girassóis
Ou de quando íamos
De mãos dadas, meninos,
Ouvir as barcarolas
Do marinheiro negro da praia?
Mamana Cellina
Não mais voltou à esquina da rua
Com suas badgias picantes e castanhas de caju
E o negro coxo que jogava futebol
Morreu numa noite de bebedeira.
Lembras-te, Lina,
do moleque Fabião que nos trazia do mato
Maçalas e amendoim?
É agora um velho alquebrado
À porta da palhota
Embrulhado numa réstea de sol.
Os nossos companheiros de outrora
Se dispersaram também:
Os meninos brancos trabalham nos escritórios
Zé mulato sonha Brasis e ritmos de samba
E o Gungunhana
Vende frutas numa banca do bazar.
Lembras-te, Lina,
De quando quedávamos amarrados
Ao sortilégio que nascia
Duma marimba gemendo na noite
Ou de quando ouvíamos atentos
Negro Fabião bêbado, a cantar?
Do bairro novo que aqui nasceu
Fugiram as timbilas chopes
E moleque Fabião não tem mais
Força para cantar…
Lembras-te, Lina?
Fonseca Amaral
Moçambique
