I
Hoje, em Inhaminga,
afundo-me de imenso,
meu amor.
Hoje, sob a floresta
o fragar, exaurível,
das aranhas bordando as teias
da desesperança.
E enclausuramos os olhos
de pedra.
II
Como dizer-te, meu amor,
do acre, da folha tombada
por sobre o cabelo da criança
suspensa no inexprimível
nada de nada?
Como se modula o silêncio?
Que medida para o sangue
tumultuando nos rubores
de cada manhã?
III
Em Inhaminga, meu amor,
uma árvore despede-se
sobre alguém que nunca passa,
sobre as coisas que são
porque já ausentes.
Ali, para sempre,
A transparência do horror.
E por lampejos, os very-lights,
provocam o segredo inviolável
dos antepassados!
Heliodoro Baptista
Moçambique
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