2.06.2008


Não posso adiar o amor



Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob
montanhas cinzentas
E
montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e
ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora
indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração



António Ramos Rosa