3.14.2008

Ladainha


Pela noite pela rua
passamos gatos e cães
somos as lendas raivosas
do sangue das nossas mães

Pela noite pela rua
somos cavernas e vento
temos a boca cansada
do asfalto e do cimento

Pela noite pela rua
somos navalhas abertas
já fomos estátuas mas
tivemos canções e festas

Pela noite pela rua
vendemos a mocidade
somos canções esquecidas
parasitas da saudade

Pela noite pela rua
de braço em braço tocado
tecemos o nosso tempo
levamos a morte ao lado

Pela noite pela rua
já nem somos o pecado
perdoou-nos o silêncio
deste seio amarrotado."

Leite de Vasconcelos
Moçambique