3.13.2008


Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da natureza:
- 'Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima solidão,

Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel deveza
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da Ilusão!

Mais valera à tua alma visonária,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba vária,

(Sem ver uma só flor das mil, que amaste)
Com ódio e raiva e dor - que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!


Antero de Quental