Ao Mar
Ó meu amigo Mar, meu companheiro
De infância! dos meus tempos de colégio,
Quando para vir nadar como um poveiro
Eu gazeava à lição do mestre-régio!
Recordas-te de mim, do António trigueiro?
(O contrario seria sacrilégio)
Lembras-te ainda desse marinheiro
De boina e de cachimbo? Ó mar, protege-o!
Que tua mão oceânica me ajude,
Leva-me sempre pelo bom caminho,
Não me faltes nas horas de aflição.
Dá-me talento e paz, dá-me saúde,
Que um dia eu possa enfim, poeta velhinho!
Trazer meus netos a beijar-te a mão...
António Nobre
